Samba do Operador Louco

Autor(a): Salvador Laviano | Data: nov 11, 2008 | Categoria(s): Informática | 275 views |

Leia rápido a seguinte trovinha: “Meia noite, o sol brilhava. Um jovem velho, sentado em pé numa cadeira de madeira feita de pedra, calado, assim dizia: é melhor andar nu do que sem roupa”. Deu pra entender alguma coisa? Isso não passa de um amontoado de palavras sem nexo. Palavras devem fazer sentido, isoladas ou num contexto, onde seu sentido original pode variar um pouco. No contexto da informática, certas palavras têm seu sentido levemente alterado, como em qualquer jargão técnico, mas, às vezes, o pessoal exagera.

Escolhendo as palavras

O uso do Inglês, como linguagem universal da Informática, não foi por acaso. Primeiro, por ter sido em países de língua inglesa que esta ciência se desenvolveu, no início. Segundo, por possuir palavras suscintas e de conteúdo altamente significativo, o que é muito interessante para se usar num computador, onde o problema de espaço é crítico. Tudo muito bem até que alguém resolveu começar a traduzir as coisas e, no nosso caso, lançar programas em Português. Tivemos, então, três problemas: 1)todos sabemos, a duras penas, que o nosso idioma é difícil, não é suscinto, mas ao contrário, altamente prolixo; 2) existem termos ingleses sem tradução adequada; 3) os caras que se propuzeram a traduzir mostraram, com o resultado, que não tinham bom senso nem conhecimento suficiente do Português nem do Inglês. Digo e provo com um bom exemplo.

O termo “caracteres” cujo significado é “marcas, sinais particulares, símbolos com significado especial, sinais usados na escrita ou na imprensa” é o plural da palavra “caráter”, que também significa “qualidades inerentes aos indivíduos, aspectos psicológicos da individualidade e que distingue uma pessoa da outra”. Pois houve um iluminado que resolveu inventar o termo “caractere” (com uma absurda sílaba tônica no “te”) como sendo o singular de “caracteres”, sem dúvida por desconhecer o termo correto. Isso se espalhou como um vírus, multidões de profissionais de informática falam errado, o termo foi parar no dicionário de informática e não há nada que eu, você ou os imortais da Casa de Machado de Assis possamos fazer a respeito.

Mais Bagunça

Já viu a opção “SALVAR” no menu “ARQUIVO” dos programas para Windows? Foi traduzido do termo inglês “SAVE”, que significa “guardar, armazenar”. Não se deve traduzir coisas ao pé da letra. Deve se fazer uma versão, pois cada idioma têm suas idiossincrasias (uau, sô!) só que o pretenso tradutor nem quis saber e mandou bala, criando uma coisa meio (meia é no pé, na entrada do cinema ou na pizzaria) sem sentido para quem tem de usar o programa. Poderiam ter pago um cachezinho para o pessoal do Nossa Língua Portuguesa só pra não sair um tróço (não tem acento, mas é bom indicar a pronúncia certa, neste caso!) feio desses.

Gutemberg inventou os TIPOS móveis, caracteres de imprensa, mais fáceis de usar que os antigos chineses, que eram fixos. Sabe-se lá por quê, em inglês eles se chamam FONTS. Aí, chegou um Gatesberg tupiniquim da vida e criou as FONTES. É de doer. Não defendo o Inglês, mas defendo o seu uso na Informática para não se fazer uma salada russa com o nosso belo idioma, que já é tão massacrado, principalmente em legendas de filmes.

O Corretor Incorreto

Outra coisa legal são os corretores ortográficos. Uma vez usei um que corrigiu o termo “exceção” para “excessão”. Depois disso resolvi: prefiro errar sem ajuda. É mais barato e não me sinto com cara de trouxa. Só de burro mesmo. E a cada dia que passa, nesse mar de iniqüidade lingüística, percebo melhor o sentido daquela piadinha: “Sabe quem Castrô Alves? Machado de Assis. Sabe com quê? Casmões! Eça é de Queiroz.

Salvadorlaviano@walla.com

Os Levianos © 2009 Os Levianos Tema por Pasquale Laviano.






   
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