Gutenberg, livros e internet. Autor(a): Salvador Laviano.

E DEUS permitiu aos homens que o conhecimento fosse transmitido por livros. Johannes Gutenberg foi o grande heroi da história que fez com que a humanidade começasse a sair das trevas e entrasse na Era das Luzes. Com ele, a “Noite de Mil Anos” se desfez ( a idade Média, também conhecida como a Idade das Trevas durou de 476 d.C. a 1453, quase mil anos). O primeiro livro impresso foi sua Bíblia, começada em 1450 e terminada em 1455.
Antes dele, a informação era retida pela Igreja, em grandes bibliotecas às quais o cidadão comum não tinha acesso, a menos que estivesse sendo tutelado por um mestre, normalmente também ligado à igreja. Era o conhecimento passado do mestre ao pupilo, diretamente, sem intermediários. A desvantagem é que isso levava muito tempo e o mestre tinha um número limitadíssimo de pupilos, geralmente um ou dois.
Escolas levaram muito tempo para surgirem na Europa, quase sempre ligadas às igrejas locais. Curiosamente, algumas universidades já eram bem antigas, nesta época, como a Universidade de Karueen, em Fez, Marrocos, fundada em 859 d.C., a Universidade do Cairo, Egito, de 988 d.C. ou a Universidade de Bolonha, itália, de 1088 d.C. Entretanto, tais locais eram reservados para pouquíssimas pessoas.
De qualquer modo, o livro, com o formato que Gutemberg lhe conferiu, transformou o mundo. Informação e conhecimento puderam ser transmitidos às pessoas comuns e o cidadão pôde ficar livre da subserviência desmedida causada pelas limitações da ignorância.
Com o surgimento da Internet, a relação do homem com a informação começou a se transformar. A partir da década de 1990, com a facilitação do acesso à Grande Rede, e com a criação da Teia Mundial de home pages (World Wide Web, mais conhecida como WWW), o livro começou a ser trocado pelo computador.
Realmente, a Internet tem muita informação, até mesmo sobre assuntos que achamos que não seriam possíveis de serem encontrados nela (quer saber como dar um nó numa gravata?). Mas é preciso tomar muito cuidado sobre a origem dessa informação. Veja a Wikipédia, por exemplo. Para quem não sabe, é uma enciclopédia livre, na qual qualquer pessoa pode inserir um texto. Ela não se responsabiliza pela veracidade da informação desses textos e proclama sua neutralidade, indicando que os direitos autorais de cada um deles pertencem aos seus respectivos autores.
Como saber se a informação nela encontrada é verdadeira ou não? Geralmente, os livros são mais seguros sobre esse ponto.
É claro que existem dois tipos de livros. Há aqueles para serem lidos (romances, biografias, histórias em geral) e aqueles para serem consultados (livros técnicos, manuais, enciclopédias, dicionários etc). As pessoas instruídas têm uma certa quantidade de cada um deles sob seus cuidados e os protegem muito, para serem acessados em momentos de necessidade ou em dias chuvosos.
Os sábios, desde o início da civilização, sempre tiveram em sua bagagem de conhecimento, viagens, encontros, consultas de livros e, naturalmente, experiências de vida. Da mesma forma que isso não pode ser substituído, a experiência que o contato com livros tradicionais nos fornece não pode ser substituída por computadores, ebooks ou algo que os valha. Todo o nosso passado, tudo o que a nossa civilização conseguiu ao longo da história, está nos livros, arquivado em papéis, guardados em bibliotecas para serem examinados e explorados.
O surgimento do hipertexto interativo trouxe uma nova possibilidade criativa, até então impossível. A chance de você escrever sua própria estória. Conforme seu capricho, você poderia criar inúmeros finais para até mesmo os livros que já foram escritos. Que tal o Capitão Ahab matar a Moby Dick e voltar pra casa com o navio intacto? Que tal o Conde Drácula vencer todo mundo e acabar com o Professor Abraham Van Helsing? Que tal um engraçadinho montar um novo desfecho para a Segunda Guerra e afirmar que Hitler foi um grande heroi?
Com um livro, você não consegue fazer nada disso. Você é obrigado a aceitar o que o autor reservou para o final sem choro nem vela. Por mais que você não aceite, o final deverá ser aquele, sem discussão. Uma verdade irretorquível, um destino imutável, uma obra terminada! Isso, caro leitor, é uma lição de vida: aprender a aceitar o destino, por mais idiota, por mais horripilante, por mais desagradável que possa parecer. E o livro é um presente dos céus que guarda mais essa lição entre inúmeras outras.
Enquanto o computador permitir que a informação seja desvirtuada e possa contaminar as pessoas, transformando a vida num caos, o livro deverá ser o nosso companheiro de cabeceira, para podermos avançar com solidez e segurança em direção ao futuro.
























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