Forza… Itália?. Autor(a): Priscila Manni.
Quinze minutos pra começar o jogo da Itália contra a Ucrânia. O Francesco pega uma sacola cheia de buzinas e cornetas e o kit de caipirinha que eu trouxe pro pai dele, me chama, e saímos correndo. Nas ruas, uma duplicação da bagunça habitual de Nápoles. Todos correm, todos buzinam, todos gritam. Em vários postes e nas paredes um desenho de uma cruz e um aviso sobre um funeral: “morreu hoje…” e sempre um nome diferente de um jogador da Ucrânia.
Meu primo deixa muito claro de que lado eu devo estar: “Prisci, hoje é forza Itália hein? Amanhã, Forza Brasile!”. Eu, que não entendo tanto assim de futebol, até chuto um palpite: “Sim, sim, forza Itália, hoje vai ser 3 a 0 pra Itália!”. Ele sorri. Eu sinto um calafrio. Torço e não torço. “Seria ótimo ver uma festa dos italianos, mas se a Itália fosse eliminada agora, não chegaria nem perto de uma final contra o Brasil!” – penso.
Chegamos na casa com uns 15 amigos e quatro caixas da pizza de metro – destaque pra pizza de salsicha e batata frita (antes de comentar, lembrei que nós também temos a caipirinha de saquê com morango!) – eles estão eufóricos e já começam com as brincadeirinhas: “o Brasil vai perder, a Itália vai pra final”. Eu engulo seco, disfarço, dou uma risadinha, mas não me agüento muito: “quantas vezes a Itália venceu a Copa do Mundo?” – sinto um prazer inexplicável em fazer essa pergunta.
Lá se vai o primeiro e belo gol. Barulho, muito barulho, fogos, gritos. No intervalo do jogo, o clima hostil é trocado pela “degustação” da caipirinha. Eles adoram, pedem mais. Me perguntam o nome do nosso técnico, conversamos sobre um e outro jogador, sobre as outras copas do mundo. No Brasil, não sei quase nada, mas perto das italianas, sou uma especialista em futebol e eles ficam admirados.
Começa o segundo tempo. Eu falo que estou com calor, vou pra sacada e, secretamente, torço pra Ucrânia virar o jogo. Mas meu palpite – que (eu juro) era só uma brincadeirinha, pra agradar meu primo – se concretiza. Itália, 3, Ucrânia, 0. O Francesco me olha de um jeito estranho e eu tento desvendar se ele, agora, me acha mesmo uma especialista ou uma bruxa.
Saem todos pra sacada, felizes, barulhentos. Começam a zombar – é claro – do jogo do dia seguinte. Eu me seguro, tento ser simpática, falo que torci pra Itália vencer. Eles não dão trégua. Eu apelo: “pô 15 contra 1 não vale… se a final for Itália e Brasil, nem morta vou assistir ao jogo com vocês”. Eles não se rendem, começam a torcer pela França. Meu sangue ferve e eu não me agüento e encarnando um garotinho de 10 anos, eu respondo: “isso… continuem torcendo, amanhã veremos se o Brasil vence ou não!” Só sei que agora não posso ficar na mão…

























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