BOOM e CRASH

Imagine um médico de um hospital. Ele passa o dia tratando de seus pacientes. Prescreve dezenas de receitas de medicamentos para tratar as mais diversas doenças e problemas de saúde. Ele, certamente, está a par dos riscos de prescrever alguma droga que não esteja absolutamente liberada pela agência de controle sanitário e pelo ministério da saúde.
Além disso, ele precisa conhecer muito bem os problemas que trata e os medicamentos relacionados pois, caso ele não use o remédio certo para o problema certo, poderá causar algo sério ao paciente e, talvez, à comunidade à qual ele pertence. Imagine, por exemplo, um paciente com uma séria infecção. Se o médico receitar um antiinflamatório apenas, medicamento que deprime o sistema imunológico em menor ou maior grau dependendo do tipo a que pertença, o paciente irá piorar, podendo vir a óbito caso esta situação não seja corrigida a tempo.
Pense, agora, num psicólogo que, ao invés de recomendar aos seus pacientes que procurem uma maneira de controlar seus impulsos e tentar conviver no seu meio, recomende o contrário e aconselhe o paciente a fazer tudo o que lhe der na telha. Ele vai criar um monstro que não conseguirá viver em sociedade, causando um mal maior à comunidade e ao próprio paciente.
Podemos, também imaginar um eletricista que, sabendo que uma parede está com infiltração de umidade, não alerte o seu cliente e instale uma fiação comum sem tomar qualquer precaução contra isso. Um acidente elétrico sério poderá ocorrer, com certa probabilidade de causar um incêndio e danificar a casa, sem falar no risco de vida do cliente e sua família.
Estou usando estes exemplos para chamar a atenção sobre algo que todo mundo já sabe muito bem. Todo profissional deve conhecer seu trabalho e não agir de maneira imprudente para não causar um estrago, seja ele grande ou pequeno.
Agora, imagine pessoas indo pedir empréstimos aos bancos e os responsáveis pela concessão de crédito ao público permita que o cliente leve a grana sem deixar nadinha de garantia, para o caso dele perder a capacidade de pagamento e o banco levar um calote. Dependendo do tamanho do calote, o banco pode soçobrar, afundar, ir a pique, ir à falência, sifu, o que é tudo a mesma coisa. É por isso que o banco pede a sua casa como garantia, o seu carro como garantia, as suas calças, a sua alma. Sim, porque como qualquer instituição regida pelas leis draconianas do senhor Belzebu, certamente não é o banco que vai levar a pior, se isso ocorrer.
Qualquer pessoa que já precisou de dinheiro emprestado de banco sabe que ele só empresta dinheiro a quem já tem dinheiro ou algo que valha dinheiro para dar em garantia.
Como bem disse o escritor Mark Twain, “banqueiro é um sujeito que lhe empresta o guarda-chuva quando está fazendo sol e lhe pede de volta quando começa a chover”.
Até aqui, tudo bem, ok? Agora, o quê os financistas americanos, os economistas responsáveis pela maior economia do planeta, o centro macroeconômico do mundo, locomotiva que leva de arrasto todos os coitadinhos do mercado mundial, onde tem gente que nem sabe o que é empresa de alta tecnologia da Nasdaq, fizeram?? Ora, ora, fizeram exatamente o que não se faz desde que essa coisa chamada “empréstimo” surgiu, lá pelos idos do final da Era Paleolítica, há, apenas, uns 10.000 anos!! Emprestaram dinheiro a um bando de barnabés, pés-de-chinelo, sem pedir nada em garantia. Foi o BOOM!
Aí, olha o argumento dos caras: “Ah, mas, em contrapartida, nós vamos subir a taxa de juros e, assim, compensar a falta de garantia”. É nessa hora que, se eu fosse um ser oriundo do planeta vulcano, cortava os pulsos pra me suicidar, já que a Lógica foi assassinada mesmo e a minha existência não tem mais sentido!
Foi o mesmo que jogar gasolina na churrasqueira, pô! Será que precisa ser muito esperto pra ver que o risco de inadimplência dessa gente era muito alto e a chance de um calote generalizado mais alta ainda?
Já sei. Os economistas saíram todos ao mesmo tempo para um congresso e deixaram suas vovozinhas (sabe aquelas que têm peninha de todo mundo?) tomando conta de seus lugares e elas escangalharam a economia mundial rapidinho, liberando geral.
O resultado foi isso que estamos vendo: o CRASH. Agora, o mundo todo vai pagar a conta e todos nós nos tornaremos barnabés, pés-de-chinelo, pedintes até o final do século XXIII, quando dinheiro não vai mais existir.
Se fossem médicos, psicólogos ou eletricistas, ia todo mundo preso ou , ao menos, processado por conduta profissional imprudente. Mas, como se tratam de financistas, os gurus da era pós-punk, vão ficar bonitinhos em seus escritórios, olhando feito idiotas para os seus gráficos intermináveis, para tentar achar uma justificativa para o injustificável e deixar a cara do povo com ar de palhaço, enquanto nada acontece a eles a não ser, quem sabe, uma ou duas demissõezinhas, só para não ficar muito feio. Em situações desta natureza, considero a necessidade de uma tomada de atitude ligeiramente mais radical: pau nesses caras! E vamos acabar com a faculdade de economia, pois ela provou ser perigosa e sem utilidade, já que chegamos a esse estágio por causa dela.
Quer saber? Vou sair pra fazer compras e comer uma pizza. CRASH dane!
salvadorlaviano@walla.com











Gostei bastante de seu site. Boas idéias atraem boas visitas ! Parabéns ! Mentalidade